Filosofia na Escola Secundária Jaime Moniz - Funchal

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Mai 07

Um historiador grego conta-nos que o rei Damocles quis um dia mostrar a vários dos seus invejosos conselheiros como vivia um rei. Convidou-os para o banquete da corte: manjares esplêndidos, vinhos e perfumes. A vida de rei tornava-se-lhes apetecível. Mas a dado momento o rei convidou-os a levantar os olhos. E o que é que viram? Uma espada afiada pendia sobre as suas cabeças e baloiçava ameaçadora. Os convidados deixaram de comer e tremeram. Nesse momento compreenderam como é importante a vida. 

Essa mesma sensação a experimentam os que, passados os sessenta anos, são internados num qualquer hospital com uma doença grave. Há dúvidas, desconfianças e temores porque outra "espada" está dependurada sobre as suas cabeceiras de enfermos: a eutanásia.

Etimologicamente, a palavra eutanásia significava na antiguidade uma "morte doce", sem sofrimentos atrozes. Hoje em dia referimo-nos antes à intervenção da medicina destinada a atenuar as dores da doença e da agonia, às vezes com o risco de suprimir prematuramente a vida. Fala-se em "causar a morte por piedade" ou do direito a uma "morte digna".

Direito a uma morte digna? Não é uma contradição? Como pode ser digna a morte se não o é primeiro e principalmente a vida? Por outro lado, quem é que determina os graus de dignidade na vida? Há alguma escala, algum termómetro ou balança que pese e controle os gramas de qualidade?

A eutanásia é uma derrota radical da pessoa. Pois trata-se de alguém que não encontra o sentido para a existência e pede ajuda para deixar de viver. A decisão de deixar de existir (chamemo-lo pelos seus nomes: assassinato ou suicídio), é uma recusa da vida. E a pessoa, optando e escolhendo o mal, perde a sua dignidade. É uma derrota total.

Qual é o verdadeiro problema ético da eutanásia? É que tendo um fim bom - eliminar a dor - utiliza e serve-se de um meio mau enquanto tal: a morte directa ou indirectamente provocada. E o fim não justifica os meios. Aqui o fim é bom, mas os meios são nefastos: uma injecção, evitar a cura, dar morfina...(...)

Marcelino de Andrés e Juan Pablo Ledesma

Esta questão está muito bem explorada no filme de Alejandro Amenábar, MAR ADENTRO, onde Ramón (Javier Bardem) está preso numa cama há quase 30 anos. A sua única janela para o mundo é a do seu quarto, perto do mar onde viveu e sofreu muitos anos até um acidente o ter deixado tetraplégico. Desde então, Ramón luta pelo direito à eutanásia. Duas mulheres vão mudar a sua vida: uma, advogada, apoia a sua luta; a outra, uma vizinha, tenta convencê-lo de que vale a pena viver.

Horácio de Freitas

publicado por Horacio@Freitas às 15:36

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